O que os novos charts da Billboard simbolizam para a música não-americana? 

Na última segunda-feira (14), a maior parada de músicas do mundo anunciou o lançamento de dois novos charts: Billboard Global Excl. U.S e Billboard Global 200. O primeiro contabiliza o desempenho das músicas mais tocadas do mundo fora dos Estados Unidos; o segundo, as músicas mais reproduzidas e compradas do mundo – incluindo a terra do Tio Sam. Mas o que isso pode representar para os artistas internacionais (em especial latinos e asiáticos), que nos últimos anos tem conseguido cada vez mais protagonismo no mainstream estadunidense? 

WAP: Cardi B (feat. Megan Stallion) – “A mais próxima é Cardi B com WAP, ocupando um tímido #12, esmagada entre outros nomes nacionais e latinos.”

Desde Gangnam Style (2012) o público norte-americano têm demonstrado uma abertura para as músicas cantadas em outros idiomas. Isso pode ter se dado por vários motivos: consolidação dos serviços de stream, o nicho se tornando a nova massa ou até como resposta política – não devemos nos esquecer que no ano em que Donald Trump assumiu a presidência, após uma onda xenofóbica no período eleitoral, “Despacito” veio a se tornar o maior hit dos Estados Unidos daquele mesmo ano. Certamente os gigantes do mercado musical abriram os olhos para a potência das canções comercializadas aqui fora, que tomavam cada vez mais o cenário de seus respectivos países, dando menor brecha aos artistas americanos que sempre roubavam os holofotes das músicas locais. 

Isso está acontecendo exatamente enquanto este texto está sendo escrito: das 10 músicas mais tocadas no Spotify Brasil agora, absolutamente nenhuma é em língua inglesa. A mais próxima é Cardi B com WAP, ocupando um tímido #12, esmagada entre outros nomes nacionais e latinos. E desde que o stream passou a assumir um papel central nos charts (veja a matéria: Falência do iTunes), globalizar o desempenho em algum lugar da Billboard passa a ser primordial para alimentar a abertura que o público americano já vinha dando para essas músicas. Também pode gerar uma movimentação econômica mais interessante: os artistas que se destacarem nesses charts podem ser cada vez mais incentivados a investir em publicidade nos EUA, podendo impulsionar músicas e consequentemente a popularidade por lá. Quem não quer ganhar em dólar? 

Podemos perceber com que magnitude isso impulsiona os singles através do próprio Maluma, que mesmo não sendo um completo estranho para o público americano, ele desbancou nomes de peso conseguindo o primeiro single #1 da Global 200 Excl. U.S com “Hawái”. Isso chama a atenção de quem ouve música latina nos EUA e, quem sabe, representar um novo patamar na carreira do cantor.

A expectativa é que esses charts ajudem a democratizar um pouco mais a música. Pessoalmente, esses dois charts deveriam ser ainda mais relevantes que a própria Hot 100, que não representa nada além de desempenho local. Além de ser uma oportunidade para os artistas que sempre tentaram se destacar nos Estados Unidos e encontraram N barreiras para ter essa visibilidade, esses charts vão revelar como artistas americanos se comportam fora da sua zona de conforto.

Conta aí: qual artista não-americano você quer ver no topo dessas paradas? 

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