Lançado há alguns meses, o segundo álbum de estúdio do Bad Bunny parece um grande desafio por ser longo, mas é um trabalho lindo e cheio de energia que compensa o enorme número de faixas (20), com músicas sensacionais do início ao fim. YHLQMDLG (abreviação de “yo hago lo que me da la gana”) é consistente, divertido e apresenta um Bad Bunny super versátil.

Um dos principais nomes do reggaeton, Bad Bunny é um músico muito inteligente e de uma estética finíssima, que sempre se envolve com os artistas certos – como Drake, além de Cardi B e J Balvin, tendo conquistado com os dois últimos o #1 na Billboard Hot 100 com “I Like It”. Em “YHLQMDLG”, às vezes solo, e outras vezes com participações sempre ótimas de artistas latinos como Daddy Yankee, Ñengo Flow e Sech, Bad Bunny explora o reggaeton característico do seu berço musical, mas também mostra seu lado mais “rua”, num momento que o álbum dá uma virada, ali em “25/8“, e é porrada atrás de porrada com um som mais gangster trap.

Bad Bunny.

E não é que o álbum só fique bom quando chega no trap. Tá certo que recupera o fôlego, já que depois de 14 faixas mais puxadas pro reggaeton (praticamente um álbum por si só), você pode estar meio cansado do que ouviu até ali. Mas o álbum é todo bom. Faixas como “La Santa” com Daddy Yankee ainda no comecinho, e a minha favorita “Bichiyal”, com o Yaviah, são absurdamente ótimas. O flow do Yaviah é uma das melhores coisas no álbum, apesar da participação curta que tem. O ritmo na “primeira parte” do material é muito gostoso, e a sensação é como se você estivesse numa festa de rua promovida por artistas da cena: as várias faixas curtas lembram um mashup, a batida nunca cansa e é bem convidativa, com beats bem feitos, e daria para curtir esse som com uma galera suada dançando a sua volta, sem tirar nem pôr música alguma.

Ali no meio rola uma bagunça com “Safaera“, a última faixa reggaeton do álbum. O som é um pouco difícil de digerir, mas funciona para quebrar o clima construído até aquele momento. É como se o Bad Bunny estivesse preparando o ouvinte para o que viria em seguida. “Está Cabrón Ser Yo“, “Puesto Pa’Gerrial” e “P FKN R” são o MELHOR momento do álbum, um trio impecável de trap latino “clássicão”, com a terceira sendo a melhor delas. Os beats lembram muito a sonoridade de rap nacional (tudo bem que todos bebem da sonoridade estadunidense, à la Travis Scott, mas…), e “P FKN R” é o mais próximo de uma “Favela Vive” que eu experimentei nesse material. Arcangel é um rapper absurdo, além do sotaque latino ser muito funcional no álbum todo: quando precisa ser sexy, é; mas quando precisa ser agressivo, é e muito. Sem falhas nessa faixa.

“YHLQMDLG” tem um finzinho mais emocionado ali, encerrando com a faixa “<3“, que tem uma melodia lindíssima e mostra um Bad Bunny mais sensível. O cara consegue ser ótimo em todas as faixas, nunca ficando atrás mesmo dos melhores feats do álbum. Bad Bunny é um artista que já provou que consegue vender, mas que também sabe fazer bons álbuns coesos e instigantes. Vale a conferida mesmo para os que, como eu, nunca antes ouviram um LP inteiro de reggaeton, pois esse aqui consegue agradar em muitos sentidos, além de mesclar estilos na medida certa e com muita competência.

A capa de YHLQMDLG.

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