Em seu 21º álgum de estúdio, “Whoosh!“, a majestosa banda Deep Purple consegue se reencontrar após um último projeto mais experimental – “Infinite“, de título que contrariava o nome da turnê “The Long Goodbye” e afirma que o legado da banda vai se manter para sempre, mas que o adeus será longo.

Deep Purple se reinventou após 50 anos de carreira em seus álbuns mais recentes, mas sem perder a essência. Bob Ezrin é um dos fatores para esse acontecimento. Ele assina a produção da banda pela terceira vez seguida, conseguindo extrair o melhor dos músicos e ainda aplicar conceitos mais elaborados de forma espetacular e profunda.

Começando por “Throw My Bones“, em que Ian parece não ter pressa, questionando porque tanta ansiedade pelo futuro incerto. A banda entrega um ritmo com bastante precisão e acompanha os momentos de pergunta e resposta do conflito criado na temática da letra.

A banda me transporta a uma levada mais divertida em “Drop The Weapon“, que acaba com qualquer ser humano orgulhoso. O momento bem rock n’ roll é garantido pela guitarra e um teclado que passa a seguir o contra-baixo de Glover. Ian trás um refrão no qual se refere à época do símbolo da paz, concebido e usado pela primeira vez no Reino Unido durante a campanha para o desarmamento nuclear que mais tarde se tornou sinônimo de oposição à Guerra do Vietnã.

We’re All The Same in the Dark” não foge muito do que a banda tem criado nos últimos anos, mas se mantém firme com elementos vocais que se fazem presentes em todo álbum. Steve Morse dessa vez com uma timbragem que lembra a época de sua antiga banda Dixie Dregs.

Já “Nothing At All“, diferente da música anterior, parte para um momento mais clássico com padrões rápidos na guitarra e no teclado muito bem executado por Morse e Airey. Ainda assim, a música me traz um momento de leveza e mostra mais uma vez a incrível e virtuosa cozinha do Deep Purple em ação. E com um solo de Don Airey de deixar o saudoso Jon Lord orgulhoso.

É a partir daí que “Whoosh!” cria uma atmosfera mais intensa, e em “Step by Step” nota-se uma levada mais arrastada e um clima pesado vêm dos teclados. Elemento já visto nos álbuns anteriores, mas que é bem aproveitado por toda a banda.

What The What” quebra a atmosfera criada anteriormente e nos leva para um momento de muito entusiasmo ao ouvir um “piano bar” que nos remete a trabalhos da época Fireball/Burn. Ian Gillan parece muito confortável ao cantar esse animado blues rock.

O álbum também consegue viver seu momento psicodélico como em “The Long Way Round“, que soa muito bem para uma boa performance ao vivo, principalmente com padrões criados no teclado e um final que emenda para um som da fase moderna do Deep Purple. “Woosh” me agrada mais uma vez com o retorno do clima tenso no álbum com “Power of The Moon“, com o ambiente ideal para as dobras de voz de Ian.

Segue a distorção na faixa que precede “Man Alive“: “Remission Possible” é uma ponte indiscutivelmente incrível e bipolar, pois vive um momento agressivo e destoante, e termina com alívio em mais um breve mantra de Morse que se conecta com “Man Alive”. Man Alive desperta sensações e uma letra de reflexão sobre a humanidade que destrói o próprio planeta. Ian Paice dá o compasso a um relógio que dá a contagem regressiva da vida na Terra, enquanto Gillan traz previsões de um futuro vazio e sem vida.

Para finalizar, “Whoosh!” conta com mais duas músicas no melhor do Deep Purple: a regravação da instrumental “And the Address”, faixa que abre o primeiro álbum da banda, “Shades of Deep Purple” (1968). Interessante observar que Ian Paice é o único músico daquela época a participar do novo registro.

Na última faixa do álbum, Roger Glover toca um riff bem marcante e o melhor da atual formação do Deep Purple é apresentado. Mais uma vez, um show de instrumental surge com solos de Steve e Don e segue para o final de um álbum que dá satisfação para o ouvinte.

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