Symere Woods, mais conhecido como Lil Uzi Vert, é com certeza um dos maiores nomes do trap/rap estadunidense na atualidade. Nascido no norte da Filadélfia, tem conquistado uma legião de fãs ao redor do mundo e a atenção da mídia, destacando-se por sua engenhosidade, irreverência e técnica. Dono de hits como “Money Longer” e “XO Tour Lif3” entre muitos outros, além de sua notável participação em “Bad and Boujee”, do trio Migos, Lil Uzi também brinca com a mistura entre universos antes distintos, como a cultura geek de animes e games, com a estética de gangues de ruas, provando que esses estilos podem caminhar juntos e estão cada vez mais próximos.

O fato de Lil Uzi Vert possuir uma métrica inovadora e habilidosa já é conhecido desde o início de sua carreira, assim como de outros rappers de sua geração como Playboi Carti – grande amigo de Uzi – e Ski Mask. Porém, em seu mais novo álbum “Eternal Atake”, que conquistou aclamação crítica e sucesso de vendas, Lil Uzi mostra níveis superiores de habilidade, apresentando flows complexos munidos de versos e punch lines matadoras, sem contar sua musicalidade enorme para melodias vocais, e que sempre foi seu carro chefe na conquista não apenas da cena underground, mas também do mainstream.

“Eternal Atake” é conceitualmente dividido em três partes: as primeiras músicas apresentam um padrão mais agressivo, com forte sonoridade plug e drill, 808’s pesados e graves, hi-hats contínuos com viradas rápidas, melodias cíclicas e simples, um prato cheio para quem curte a sonoridade mais undeground do artista. Logo em seguida, demonstra sua veia melancólica e experimental, tendo músicas como “I’m Sorry” e “Chrome Heart Tags”. Com melodias mais complexas, PAD’s e sintetizadores dominam essa parte do disco, chegando a flertar com o EDM na faixa “Celebration Station”. Mais ao final, sua veia comercial vem à tona e músicas mais pop e de apelo comercial aparecem. “XO Tour Lif3 Pt2” é um grande destaque, uma forma surpreendente e criativa de reinventar uma canção que já é um clássico marcado no cenário musical.

Um dos pontos fracos do álbum é a faixa “That Way”, que apesar do sucesso comercial – boa parte graças ao viral no TikTok -, é visivelmente fraca e repetitiva, faltando ali o toque de criatividade e técnica visto em tantas outras faixas do material. Outra parte que deixa a desejar é a participação da cantora Syd (na faixa “Urgence”), que poderia ter sido melhor aproveitada, visto o grande potencial da artista.

No fim das contas, “Eternal Atake” é um forte marco para a carreira de Lil Uzi Vert: ótimos beats, demonstrações incansáveis de engenhosidade, repertório muito bem selecionado e arranjado, além da sonoridade sci-fi e transições imersivas que prendem a atenção do ouvinte para a atmosfera da obra. Uma verdadeira volta por cima para Lil Uzi, que quase se aposentou em 2018, devido problemas com a gravadora e decepções pessoais. É ótimo ver esse retorno de um artista que raramente decepciona, mostrando sempre o potencial que as novas gerações possuem, agora com um material visionário, que quebra esteriótipos e padrões dentro do hip-hop, que muitos infelizmente ainda conservam como virtudes dentro da cena.

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