Oito anos e três álbuns desde seu último disco country, Taylor Swift decide relembrar suas raízes musicais e investe em um álbum mais cru, algo que apenas realçasse suas letras e seus relatos amorosos, que se afastasse de toda a esfera syntch pop que ela vinha apresentando nos últimos anos. “Folklore chega como uma brisa para os fãs mais antigos da loirinha, que acreditavam que “the old Taylor wasn’t dead”, como ela havia declarado no controverso “Reputation” (2017). O novo álbum é uma ode a todos seus trabalhos até agora.


Alguns fãs (e a própria cantora) separaram o álbum em três pontos de vistas, sobre um casal e uma terceira pessoa que em determinado momento se envolve com eles, algo não muito relevante para o ouvinte que apenas espera um trabalho de qualidade, porém esse detalhe mostra o cuidado da artista em pensar nas faixas como capítulos de uma grande história.

O álbum começa leve, até demais para ser honesto, mostrando uma atmosfera de campo e isolamento, o que faz sentido já que o mesmo foi produzido em plena quarenta. Todavia, a atmosfera não é muito cativante para aqueles que não são obcecados pela Taylor, podendo parecer parada e um pouco desinteressante, o que obviamente se mostra um equívoco, até que a única parceria do projeto aparece. “Exile” (com Bom Iver) definitivamente prende a atenção do ouvinte e joga as expectativas do disco nas alturas: a balada narra a história de dois ex-amantes que estão tentando entender como alguém consegue superar uma paixão tão rápido, com uma melodia envolvente e uma letra fácil de se relacionar, sendo definitivamente um dos pontos altos do álbum.

Taylor Swift: Folklore.

My Tears Ricochette” vem logo após, ainda segurando a atmosfera de separação e entendimento criada por “Exile”. É uma faixa interessante ao mesmo tempo que inusitada. “Mirrorball“, por outro lado, parece simplesmente jogada: a produção de Jack Antonoff simplesmente não combina com nada apresentado até agora, e se mostra um pouco desinteressante. As duas faixas que dão continuidade ao álbum logo chamam a atenção por suas letras pessoais e bem elaboradas: “August” e “Seven” são o ponto alto da carreira de compositora de Taylor Swift. Mostrando evolução em seu modelo de narrativa e de desenvolvimento, as melodia suave de “Seven” é o detalhe mais importante, uma música que com certeza será lembrada pelos fãs por muito tempo. “August” não fica muito atrás, e sua melodia lembra os velhos tempos de “Red” (2012), onde mesmo com uma abordagem pop ela ainda se mantinha com um violão.

Temos então uma mudança de ambiente, provavelmente chegando à parte mais interessante do disco como um todo. “Illicit Afairs” grita Old Taylor, é uma balada simples e bem executada, cativante do início ao fim. “Invisible String” lembra tanto “Fearless” (2008) que chegamos a acreditar ser um descarte, mas ela é a senhora Swift, não precisa reciclar músicas para se referenciar, é um confort para aqueles que conhecem a discografia. “Mad Woman” é algo a se discutir, a letra não é a das mais elaboradas e seu desenvolvimento é simples, mas Taylor dá seu recado e acredito eu ser o mais importante em uma música como essa. Chegamos então em uma aventura vocal e “Epiphany” é melódica e surpreendentemente boa, mesmo seguindo a atmosfera das primeiras faixas do disco, essa se sobressai pois sabe dosar a melancolia ao mesmo tempo que prende o ouvinte.

Taylor Swift.

Temos então à faixa que nos lembra o “Speak Now” (2010) nesse disco: “Betty” é sem sombra de dúvidas o último suspiro country que Taylor Swift dará em um longo tempo, no entanto ainda bem que ela decidiu parar para respirar. Essa faixa é o que resume sua evolução como compositora, contando a história sobre a perspectiva de alguém que estragou o próprio relacionamento, algo não muito comum em sua discografia, uma música simples e encantadora.

Chegamos então ao final do disco com “Peace” e “Hoax“, sendo a última faixa uma finalização digna de um trabalho não muito usua. Mesmo Taylor se arriscando em uma sonoridade diferente de tudo que ela fez ao longo de mais de quinze anos de carreira, o álbum ainda soa simples, mesmo sendo um grande avanço artístico para a mesma.

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