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“After Hours” é um alivio pra qualquer fã de longa data de Tesfaye e uma experiência única para aqueles que estão o conhecendo agora. Após um álbum não muito apreciado e um EP um tanto quanto divisivo, Abel finalmente mostra o que sabe fazer de melhor: criar álbuns. Mesmo “Starboy” sendo um trabalho recheado de hits, The Weeknd sabia que ele falhava ao criar uma atmosfera que abraçasse o ouvinte do início ao fim, não era convincente como um álbum. Tesfaye mesmo assume que o motivo pelo qual ele se dedicou mais a esse novo trabalho, é que ele costumava ser conhecido como um cara que contava histórias, então a atmosfera era o determinante mais importante.

O álbum abre com a espectral “Alone Again”, ditando o som retro que seria abordado ao longo do trabalho e a viagem que faríamos. Extremamente bem produzida, a faixa narra a viagem de The Weeknd a Las Vegas e como mais uma vez ele se encontra sozinho, mostrando que mesmo depois de todos esses anos ele continua tendo problemas para manter um relacionamento. É bom salientar que o disco também possui uma identidade visual muito forte, então suas referências a filmes dos anos 1970 e sua temática envolvendo amores rápidos e drogas remetem ao personagem criado por Abel visitando esses lugares. “Too Late” vem logo em seguida tentando levantar um pouco a energia do disco para dar espaço a um dos pontos altos: “Hardest To Love”, onde The Weeknd assume a culpa por seus relacionamentos não durarem muito e pela dificuldade em aceitar o amor, uma faixa extremante pessoa e linda. Seguimos então para “Scared To Live” onde, com uma produção oitentista, Tesfaye relata a evasão de sua parceira ao longo dos anos juntos, falando o que ele a estragou amorosamente desenvolvendo nela vários traumas que podem atrapalha-la futuramente. É definitivamente um dos pontos altos do álbum pela forma singela e cuidadosa que ele trata o tema.

Seguimos então para “Snowchild”, provavelmente uma das músicas com a produção mais contemporânea do disco, relatando seu caminho de adolescente desconhecido até estrela pop. Então temos o meio do disco e definitivamente as melhores produções do ano. Na épica “Escape From LA”, temos um Abel implorando para sua amada o tirar da tão corrosiva Los Angeles, onde ele não encontrou nada além de dor e ressentimento. “Heartless” se mostra como uma alivio espiritual não apenas para o cantor, mas também para o ouvinte que estava sendo guiado numa espiral profunda para um coração partido e um ídolo perdido em sua própria grandeza. “Faith” pode ser determinada como a melhor sensação que você terá ouvindo uma música, sua produção é a definição de “futuro da música”, pois claramente ninguém fez nada parecido com isso até hoje, e irá demorar para outro artista atingir esse nível de perfeição sonora. Chegamos à tríplice comercial do disco, as faixas que conquistam o público geral e que são tocadas em todos os lugares: a parecidíssima com algo que o A-ha faria “Blinding Lights”, dançante e espirituosa; a que grita anos 1980 “In Your Eyes”, também dançante porém segue como se fosse um groovy numa pista de dança; e a ode a músicas de trilhas sonoras “Save Your Tears”, essa que definitivamente seria lembrada em OST de todos os filmes de colegiais da época.

Por fim, a faixa que leva o título do álbum nos mostra que Abel ainda tem muito a mostrar, e que nada que ouvimos antes soou tão completo como essa música: sua composição pessoal, sua produção majestosa e sua construção que soa como uma grande jornada chegando ao fim é o atestado de artista do Tesfaye. O disco termina com “Until I Bleed Out” que com certeza soa como um término, não apenas desse trabalho que foi uma viagem a Las Vegas e aos sentimentos mais profundos de The Weeknd, mas também a grande espiral emocional que o álbum nos colocou.

The Weeknd: After Hours.

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